Tava ali na janela (mas completamente diferente das mulatas de Di Cavalcanti) vendo o movimento da rua e me dei conta de uma série de fatos.O primeiro que me chamou atenção é um estabelecimento bem em frente daqui. Tudo aponta para uma clínica, mas não tem placa, não tem identificação. Certa feita saiu uma senhora de lá e deu um ataque histérico no meio da calçada. Coitada, se estatelou no chão e ninguém pra ajudar o teatro histérico que ela encenou. Diz o porteiro que é uma clínica de “gente tã-tã”. Como eu andei um tempo estudando doença mental, achei procedência na informação. Tomara que não seja nada ilegal, pois morro de medo de barraco.
Outra coisa interessante é a fila de carros parada em estacionamento proibido. Do lado do meu prédio é proibido estacionar, mas a negada não ta nem aí. Certo dia, desceu um caboco com uma cadeira de plástico na mão. Um gordim. Bom, passou uns minutos e eu fui almoçar e quando passei em frente ao Bar dos Banquins lá se estava o godim, sentado em sua cadeira de plástico Goiana. Vou explicar: o Bar dos Banquins tem uns bancos safados que não cabe uma bunda de 80 kg. A turma se arranja quando o assunto é beber. Deixam até o carro embaixo do “proibido estacionar” e se mandam pra buraqueira.
Um pouco mais distante tem um curso de inglês onde o Vítor Belfort e a Joana Prado, a Feiticeira, são os garotos propaganda. Estão lá estampados em forma de decalque na vidraça da frente. Toda vez que os vejo lá grudados só lembro o sequestro da irmã dele e do pescoção dela na época da Casa dos Artistas (mininu aquilo lá já fez 10 anos!!). Poderia lembrar de coisas melhores, mas eles me inspiram apenas nisso.
Ah! Tem também o vizinho que canta como uma ama de leite. Parece os lamentos daquelas escravas de novelas das seis de antigamente. Ele comprou um carro novo e um dia eu o vi limpando-o incansavelmente durante toda uma tarde ( e olhe que a tarde custa a passar). Fui olhar o meu e tava só a lama! Eu bem que poderia ter colocado a sunga e fazer o que ele tava fazendo. Eu fico aqui falando do povo e meu arroz queimando...
Pro seu governo, eu não fico bilando o povo na janela. Isso foi apenas uma crônica de um espectador do mundo. Depois eu conto as coisas da portaria do prédio.
O que ficou de tudo isso: o Clodoviu morreu e o Senado aprovou um Projeto de Lei dele que permite os enteados terem o sobrenome do padrasto. Tomem tenência!
Inté.
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